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Prefeito de SBC enriquece com informações privilegiadas do Estado

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A história da relação de Orlando Morando (PSDB), hoje prefeito de São Bernardo, com o Trecho Sul do Rodoanel vem de longe e precede às investidas do tucano, quando deputado estadual, contra investigações na Assembleia Legislativa sobre denúncias na obra ou a carona eleitoral assumida pelo político no pleito que sucedeu a inauguração do viário.
Em 2002, Morando era vereador de São Bernardo. Estava no PSB, em seu segundo mandato, mas se preparando para ser candidato a deputado estadual naquele ano, com suporte de boa parcela do governo – Mauricio Soares era prefeito, mas pouco tempo depois renunciou para dar lugar ao vice, William Dib, então padrinho político de Morando. Foi nesse ano, em abril, que o então parlamentar municipal comprou, por R$ 200 mil, um terreno de 305,9 mil metros quadrados, no bairro Batistini, que pertencia à Sadia.
O que parecia ser apenas uma transação imobiliária deu início à conexão de Morando com o Trecho Sul do Rodoanel, com direito a pedido de indenização por desapropriação com valor 75 vezes maior do que o pagamento pela área.

No início dos anos 1990, o governo do Estado anunciou a proposta de criar um anel metropolitano, dividido em quatro lotes de construção, mas que ligaria as dez principais rodovias paulistas. Entre elas, a Via Anchieta e a Rodovia dos Imigrantes, que cortam o Grande ABC. O primeiro trecho a ser entregue foi o Oeste (aberto em outubro de 2002). O Sul, que interferiria na malha viária da região, estaria na sequência.

Morando se candidatou a vereador em 1996. Ficou na suplência, mas com a ida de três vereadores (Gilberto Frigo, Admir Ferro e José Roberto de Mello) para o governo de Mauricio Soares, herdou cadeira. Nessa legislatura, começaram os primeiros requerimentos de informação aprovados para saber o traçado do Trecho Sul do Rodoanel. Com Morando ainda na Câmara e um dos homens fortes do governo de São Bernardo no Legislativo, vereadores da base de sustentação passaram a questionar o governo do Estado sobre a rota viária da futura rodovia. Lenildo Magdalena foi o campeão de solicitações sobre a obra, com cinco requerimentos.
Foi o próprio Morando quem comprou o terreno da Sadia. A área foi integralizada ao patrimônio da Ponto Bom Participações em março de 2007, quando o tucano, já deputado estadual, criou a empresa juntamente com seu amigo José Carlos Vinturini. Na Junta Comercial, a Ponto Bom Participações (hoje com nome de OAC Participações Ltda) tem como objeto gestão e administração da propriedade imobiliária, com capital de R$ 955 mil. Atualmente, Vinturini está lotado como assessor especial no gabinete da liderança do PSDB na Assembleia Legislativa. O posto de líder do PSDB na casa é exercido pela deputada estadual Carla Morando (PSDB), mulher de Morando. Vinturini recebe R$ 25,1 mil mensais.

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